Entre os principais aspectos da regulamentação da Reforma Tributária está a preservação dos créditos de PIS/Pasep e Cofins. Os saldos credores acumulados permanecerão válidos após a extinção dessas contribuições, garantindo sua utilização conforme as regras de transição.
A Lei Complementar nº 214/2025, em seus arts. 378 e seguintes, assegura a preservação desses créditos durante a transição para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), permitindo que continuem sendo aproveitados conforme as regras previstas pela legislação. A Receita Federal também esclareceu que os saldos credores serão recuperados a partir da EFD-Contribuições de dezembro de 2026 , com operacionalização por meio do PER/DCOMP Web, conferindo maior segurança ao processo de aproveitamento dos créditos.
Como esses créditos poderão ser utilizados?
Durante a transição, os créditos de PIS/Cofins poderão ser destinados a:
✔ Compensação com a CBS, a partir de 2027;
✔ Compensação com outros tributos federais, observadas as regras vigentes;
✔ Ressarcimento em dinheiro, quando cabível.
Além disso, permanecerão válidos os créditos já constituídos, inclusive aqueles relacionados à depreciação e amortização, que continuarão produzindo efeitos conforme as regras de transição.
Atenção à escrituração fiscal
A preservação dos créditos não elimina a necessidade de uma gestão criteriosa. As empresas devem verificar a qualidade da EFD-Contribuições, validar a consistência dos saldos acumulados e manter documentos hábeis que comprovem a origem dos créditos, considerando que sua utilização poderá ser posteriormente fiscalizada pela Receita Federal. Outro ponto de atenção é o tratamento dos estoques existentes em 31 de dezembro de 2026, cuja apuração poderá gerar crédito presumido da CBS em situações específicas, desde que aplicados os requisitos legais.
Planejamento é essencial
A Reforma Tributária exige uma gestão estratégica dos créditos fiscais construídos ao longo dos anos. As empresas que iniciam desde já a revisão de seus saldos, a escrituração e os procedimentos internos são mais descobertas para aproveitar integralmente os créditos preservados e reduzir riscos durante a transição para o novo sistema tributário.
Por: Dra. Bruna Raz